quinta-feira, 24 de junho de 2010

Simples?

Hoje eu saí pra almoçar com a Ana*, uma amiga de infância. Cheguei no restaurante, sentei na mesa e esperei 10 minutos, até que ela chegou. Sua expressão não era das melhores. Ela me contou que havia tido uma pequena discussão com o namorado e que, apesar de não ter sido nada muito grave, ela se sentia muito culpada. Não perguntei nada, afinal, são coisas pessoais de um casal. O garçom chegou, eu fiz meu pedido. Ana também pediu, e pediu, e pediu. Pensei: "Nossa, ela não vai aguentar comer tudo isso!" E eu me enganei. Ela comeu tudo. Descontou o sofrimento e a raiva na comida. Fiquei olhando minha amiga, assustada. Como ela conseguiu?! Ela, com toda delicadeza, pediu licença e foi até o toillet. Falei que iria junto, e ela resistiu. "Aninha, preciso ir no banheiro, também. Estou super apertada." Ela resmungou, continuou andando e entrou em um dos boxes do banheiro. Ouvi um barulho incomum, como se alguém estivesse passando mau. E o som vinha do box de Ana. Após ouvir a descarga, Ana saiu tranquilamente do box e fez um gargarejo com a água da torneira.

- O que foi? Parece que viu um fantasma. - disse, Ana.
- Você tava passando mau, amiga? - perguntei, preocupada.
- Não, boba. Eu vomitei porque comi de mais, só isso.

Arregalei meus olhos, em espanto. Ana percebeu minha expressão e completou:

- Estou acostumada com isso, não se preocupe. Já tentei parar, mas não consigo. Toda vez que me sinto pra baixo, fico magoada ou culpada, eu como exageradamente. Depois, me sinto culpada por ter comido tanto, e boto tudo pra fora. Simples assim.

Simples?

* Nome fictício.

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